O Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ) e o Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) participaram, ao lado de diversas instituições, de uma operação de vistoria e fiscalização ambiental na Lagoa de Juturnaíba, em Silva Jardim. A ação, realizada nesta terça-feira (26), teve como objetivo identificar possíveis causas de poluição no reservatório e em seu entorno, além de coletar amostras de água para monitorar a qualidade do ecossistema lagunar.
A operação contou com a participação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), por meio da Superintendência, da Secretaria de Meio Ambiente de Silva Jardim, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), das concessionárias Águas de Juturnaíba (CAJ) e Prolagos, além da presença do coordenador da Câmara Técnica de Saneamento do CBHLSJ, Arnaldo Villa Nova, e da analista técnica do CILSJ, Aline Ribeiro.
As equipes se dividiram em embarcações e vistorias terrestres, percorrendo diferentes pontos da lagoa e do município. Entre as irregularidades constatadas, técnicos do Inea autuaram um proprietário rural por construção em Área de Preservação Permanente (APP) e desmatamento em Faixa Marginal de Proteção (FMP) da Lagoa de Juturnaíba. A multa pode chegar a R$ 1 milhão, conforme a Lei Estadual nº 3.467/2000.
Além disso, foram notificadas residências e estabelecimentos comerciais para regularização dos sistemas de esgotamento sanitário e demarcação da FMP. Em Boqueirão, um imóvel rural foi autuado por extração mineral irregular, enquanto na localidade de Cesário Alvin diversas atividades foram notificadas para requerer licenciamento junto ao órgão ambiental competente.
Paralelamente às ações de fiscalização, técnicos do Inea, das concessionárias e do CILSJ realizaram coletas de água no reservatório e em seus afluentes, para análise de possível contaminação. O resultado dos exames deve ser divulgado em até 15 dias.
Segundo o coordenador da Câmara Técnica de Saneamento, Arnaldo Villa Nova, a visita foi fundamental para identificar situações críticas que afetam a qualidade da água da Lagoa de Juturnaíba.
“Durante o acompanhamento, observamos sinais claros de eutrofização, o que indica acúmulo de nutrientes possivelmente oriundos de sistemas individuais de esgotamento sanitário. Com a estiagem, a situação se agrava pela falta de diluição e de renovação das águas. Também identificamos erosão nas margens da represa, agravada pela ação dos ventos. Em alguns trechos onde houve reflorestamento, o problema persiste, e uma alternativa viável seria o plantio de bambu na linha d’água para proteger as margens e evitar a erosão,” destacou.
O CBHLSJ e o CILSJ reafirmam, com essa atuação, seu compromisso em fiscalizar, monitorar e proteger os recursos hídricos, garantindo a conservação da biodiversidade e a segurança hídrica da região.